“Não te preocupes. Só Monte Real tem pernas para andar”

O presidente da Câmara Municipal de Leiria interpelou o Ministro das Infraestruturas e da Habitação sobre o apoio do governo a um futuro aeroporto do Centro “inventado” pelo edil de Coimbra e “apadrinhado” pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM RC)

A informação é avançada pelo Jornal de Leiria, onde se pode ler que Gonçalo Lopes recebeu uma SMS de Pedro Nuno Santos a afirmar: “Não te preocupes. Só o [aeroporto] de Monte Real tem pernas para andar”.

O Jornal de Leiria adianta que a mensagem foi divulgada pelo autarca leiriense na última reunião da câmara local.

Esta informação do autarca de Leiria surge depois da CIM RC ter emitido um comunicado onde afirmava que reuniu no Ministério das Infraestruturas e da Habitação, em Lisboa, para discutir a temática do aeroporto na região Centro.

A CIM RC divulgou que defendeu esta necessidade e a importância de objetividade e racionalidade na solução.

“Os representantes do governo registaram as necessidades, apresentadas pelos autarcas, do reforço da capacidade aeroportuária na região Centro e ficou estabelecido que iriam ser avaliadas e estudadas as soluções com vista a encontrar uma solução viável para a implementação de um aeroporto na região Centro”, acrescentava a CIM no dia 15 de janeiro.

A CIM RC não adiantou quem foram os representantes do Governo presentes nessa reunião.

A reunião para discutir a localização e “construção de raiz” de um aeroporto na região Centro foi anunciada no dia 12 de janeiro pelo presidente da Câmara de Coimbra, autarca que não conseguiu cumprir a promessa de construir o “Aeroporto Internacional de Coimbra” no Aeródromo Municipal da cidade.

Perante “a evidência de que [a Base Aérea de] Monte Real não é alternativa”, tal como o aeródromo Bissaya Barreto, em Coimbra, Manuel Machado disse então que se estava a trabalhar para resolver a situação, defendendo a “construção de raiz” de um aeroporto.

A abertura da Base Aérea de Monte Real (BA5), no concelho de Leiria, ao tráfego civil “é inexequível”, pois implicaria, designadamente por razões de segurança, “um investimento mais oneroso do que a construção de uma pista nova”, explicou o autarca, que falava na reunião do executivo municipal de Coimbra.

O projeto de instalação de um aeroporto no concelho de Coimbra, através da ampliação do aeródromo municipal Bissaya Barreto, que Manuel Machado vinha preconizando desde a sua campanha de recandidatura à liderança da Câmara de Coimbra em 2017, também se revela inviável, pois esta possibilidade envolveria, igualmente, “mais custos do que a construção” de infraestrutura nova, explicou.

A ampliação do aeródromo Bissaya Barreto, em Cernache, no concelho de Coimbra, para a operação de aviões pesados “é muito dispendiosa”, de acordo com os estudos entretanto encomendados pela Câmara de Coimbra, frisou.

A localização do novo aeroporto já está de algum modo definida, no âmbito dos mesmos estudos já efetuados, que apontam para uma área situada “a sul de Coimbra e a norte de Leiria”, adiantou, na mesma ocasião, Manuel Machado.

O autarca de Coimbra não adiantou onde seria o “aeroporto de Coimbra Centro”, mas os tais estudos apontarão para locais como o “Nó de Soure), Rabaçal (Penela) e Ega (Condeixa).

O presidente da Câmara de Leiria, o também socialista Gonçalo Lopes, disse no dia 15 de janeiro à agência Lusa que continua a considerar que a abertura da BA5, em Monte Real, à aviação civil é a melhor solução para a região Centro.

“Parece óbvio que, não só a proposta é completamente esdrúxula e irrealista, como Manuel Machado está isolado nesta ação, que terá fundamentos exclusivamente internos”, afirmou o autarca de Leiria.

“A esmagadora maioria das forças vivas de Coimbra e da região Centro já se manifestaram a favor do aeroporto de Monte Real como a solução mais exequível e realista”, sustentou Gonçalo Lopes, que também é presidente da CIM Região de Leiria.

“O próprio Governo, através do primeiro-ministro e do ministro das Infraestruturas, também se pronunciou favoravelmente ao projeto de Monte Real, nos termos em que está apresentado”, destacou Gonçalo Lopes.

“Julgo que isso diz tudo. Lamento a posição de Manuel Machado, que não é coerente nem razoável, mas não é por morrer uma andorinha que se acaba a primavera”, rematou.

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